Como serão nossas terças sem o Cana?
Teremos certamente que reinventar.
Durante todos estes anos ele habitou nosso imaginário.
Quantas vezes voltei para casa pensando que também poderia ser um super-home.
Invejei suas histórias, performances e proezas.
Não importava se era verdade ou mentira.
Importava é que elas fantasiavam nossa imaginação
Provocava o risco, o espanto, a sensação de aventura.
Eu dizia sempre que ele estava na quarta geração.
Nunca envelheceu: era o mestre, o professor.
Através de suas histórias nos ensinou a vida com originalidade, criatividade, autenticidade e amor pela liberdade.
Conheci seu lado solidário que quase não aparecia
Mesmo apertado ajudou quem jamais viu.
Conhecia de perto as desigualdades e teve a sensibilidade de contribuir para a formação de um mundo mais justo.
Nossa última partida de futebol teve o gostinho do Cana: um gol de falta, de trivela, enganou o Nei, o goleiro, todo mundo...
Foi embora vencendo, do jeito que gostava.
Não haverá mais um vencedor nas peladas...
PS.: Puxa, já ia me esquecendo. Nesta celebração e encontros, a vida elegeu um cara sob medida:Jacaré, o companheiro de todas as histórias.